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terça-feira, 23 de outubro de 2018

Ritual fúnebre: Os gêmeos da Era do Gelo




Descoberta arqueológica de dois bebêsna Áustria revela a complexidade dos rituais fúnebres que já existiam há 27 mil anos
por Arthur Felipe Artero
Os corpos sem vida dos dois bebês foram colocados cuidadosamente sob a omoplata (osso atrás do ombro) de um mamute. Envolvidos em pele de animal e recobertos com ocre, uma terra fina vermelha, estariam a salvo de carniceiros. Era importante protegê-los – por isso, ao redor do arranjo, havia presas de mamute e contas de marfim. Palavras devem ter sido ditas na ocasião. Mas ninguém sabe quais ou por quê. Também pouco se sabe sobre quem eram essas pessoas ou como viviam. Tudo o que é possível é vislumbrarmos o que foi essa solenidade fúnebre pré-histórica – e isso graças a artefatos recém-desenterrados num sítio arqueológico da Áustria.

A descoberta, feita em setembro (2005), foi liderada por Christine Neugebauer-Maresch, da Academia Austríaca de Ciências. “É a primeira vez que encontramos um enterro duplo de indivíduos recém-nascidos”, diz a pesquisadora. A essa altura, nem mesmo a idade exata do ocorrido é conhecida – nenhuma datação precisa do material foi realizada até agora. Achados anteriores feitos no mesmo sítio, em Krems, no norte de Áustria, dão algumas pistas. “Sabemos por escavações anteriores que a idade de outras peças encontradas na mesma camada da escavação é de 27 mil anos. Mas ainda escolheremos partes especiais da omoplata, um pedaço de marfim e um pedaço de carvão nessa sepultura para analisar a data.”

A época é o chamado Paleolítico Superior, em plena Era do Gelo, numa fase crucial da história humana: foi mais ou menos uns 30 mil anos atrás que os neandertais, antigos habitantes hominídeos da Europa, foram sobrepujados pelo Homo sapiens, o homem moderno. Ninguém sabe ao certo como as populações neandertais desapareceram e foram substituídas pelos homens da África. A idéia predominante é a de que os africanos simplesmente os tenham atacado e subjugado, até levá-los à extinção. Mas há quem diga que nunca houve de fato um fim completo deles – e sim uma miscigenação entre as duas espécies de hominídeos.

Qualquer que seja o caso, entender as diferenças culturais – como os rituais fúnebres – entre as duas espécies em competição pode ajudar a elucidar a questão. O problema é que as informações são escassas. No caso do funeral dos bebês da Áustria, exemplares de humanos modernos, há a possibilidade de que tenha sido mais sofisticado pelo fato de eles serem provavelmente gêmeos. Ao medir os dois fêmures, foi constatado que as crianças tinham exatamente 71 centímetros. É um bom indício, mas a certeza só virá se for possível analisar o DNA. “Talvez elas tenham tido um enterro especialmente amoroso porque gêmeos eram absolutamente incomuns”, diz Christine.

De todo jeito, achados como esse, com forte conotação cultural e espiritual, demonstram que há mais a saber sobre esses humanos primitivos do que seu uso já conhecido de instrumentos de pedra lascada – que, aliás, deu nome ao período Paleolítico (do grego paleo = antiga e lithos = pedra).

Uma longa glaciação
Frio e calor se revezamhá 2 milhões de anos
Nos últimos 2 milhões de anos, não se sabe ao certo por quê, a Terra passa por momentos de resfriamento constantes – os períodos gelados costumam durar 100 mil anos, com intervalos aquecidos de 10 mil anos. Nesta fase, a Era do Gelo, surgiram os hominídeos do gênero Homo.

1,9 milhão a.C.

Mudanças climáticas iniciam o Pleistoceno, ou a fase conhecida como Era do Gelo

1,7 milhão a.c.

Surge o Homo erectus, que logo se espalha para o Leste Europeu e a Ásia

200 mil a.C.

A Europa é dominada por uma nova espécie de hominídeo adaptado ao frio, o Homo neanderthalensis, enquanto na África surgem os primeiros Homo sapiens

100 mil a.C.

Os primeiros humanos modernos chegam ao Oriente Médio, mas parecem ter entrado em conflito com os neandertais e desaparecem da região

60 mil a.C.

Uma nova expansão para fora da África leva os humanos modernos até a Austrália, provavelmente de barco

40 mil a.C.

O Homo sapiens chega à Europa. Há uma explosão tecnológica e artística (pinturas rupestres, armas complexas etc.). Os neandertais somem 10 mil anos depois

13 mil a.C.

Evidências arqueológicas indicam a chegada do homem à América, vindo da Ásia

10 mil a.C.

Com o aumento global de temperaturas e o derretimento de gelo nos círculos Ártico e Antártico, termina a Era do Gelo


Abominável homem da neve
Ötzi, o humano do gelo,é da Idade do Bronze
O mais famoso homem do gelo não pertence à chamada Era do Gelo, que terminou cerca de 12 mil anos atrás. Ainda assim, Ötzi, como ficou conhecido, é uma das descobertas mais interessantes da Pré-história humana – período anterior à invenção da escrita. A múmia foi encontrada em 1991 por um casal alemão perto de Hauslabjoch, na região alpina de Ötzal. De início eles pensaram que fosse apenas mais um alpinista desafortunado cujo corpo fora preservado pelo gelo. Mas, após a retirada do cadáver, ficou constatado que era um homem que morreu há 5 300 anos. A descoberta iniciou uma série de estudos para delinear a história pregressa de Ötzi. Pelos artefatos encontrados com ele, como um arco e um machado de cobre, sabe-se que morreu em combate. Mas se ele era de fato um guerreiro ainda é um fato controverso. O que se sabe é que Ötzi surpreende. Petr Hlavacek, professor de tecnologia de calçados na Universidade Tomas Bata, da República Tcheca, recriou os sapatos de Ötzi e descobriu que havia mais tecnologia neles do que se imaginava. Ao passear com eles por aí, constatou que, além de oferecer proteção adequada contra o frio, “os calçados são muito confortáveis”, segundo afirmou a publicações estrangeiras.

Revista Aventuras na História

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Como era o sexo na Pré-História?



Marina Motomura e Gabriel Silveira

Os homens da Pré-História já distinguiam sexo de reprodução, usavam cosméticos naturais para incrementar a paquera, faziam sexo em posições bem diferentes do papai-e-mamãe e usavam até mesmo métodos anticoncepcionais. Pelo menos é isso que indicam os estudos feitos por arqueólogos baseados em objetos como estátuas e pinturas rupestres. Só não dá para ter certeza porque a Pré-História é caracterizada justamente pela inexistência de documentos escritos. “Chegar à verdade acerca da Pré-História é quase impossível. A arte pré-histórica, grande parte da qual tem conteúdo sexual explícito, obviamente revela coisas sobre as quais as pessoas pensavam, mas não pode refletir por completo o que realmente faziam”, afirma o arqueólogo Timothy Taylor no livro A Pré-História do Sexo. Veja nestas páginas o que os cientistas descobriram sobre os hábitos sexuais que faziam a cabeça da humanidade que habitou o planeta entre 2 milhões a.C. e 4000 a.C. :-P
É PAU, É PEDRA...

Na Idade da Pedra, métodos anticoncepcionais e masturbação já faziam parte da rotina sexual
POSIÇÕES

Nada de papai-e-mamãe na Pré-História. Uma imagem encontrada em Ur, na Mesopotâmia, datada de 3200 a.C., mostra a mulher por cima, posição também encontrada em obras de arte da Grécia, do Peru, da China, da Índia e do Japão. Uma outra imagem pré-histórica mostra a mulher sentada com as pernas levantadas para facilitar a penetração do homem. A relação com penetração por trás também aparece com frequência, assim como imagens de sexo oral
CASAMENTO

No Paleolítico, a Idade da Pedra Lascada, os machos dominantes se casavam com várias mulheres, seguindo o comportamento de animais polígamos, como bisão e veado. Já no Neolítico, a Idade da Pedra Polida, a monogamia passa a ser predominante. Nessa época, os homens passaram a domesticar animais. Observando o estilo de vida dos bichos e o papel do macho na procriação, os homens passaram à monogamia.
MASTURBAÇÃO

Não faltam exemplos da prática do sexo solitário na Pré-História: há de estátuas a bastões fálicos talhados em madeira ou em pedra. Uma das estátuas, de Malta, mostra uma mulher se masturbando de pernas abertas por volta de 4000 a.C. Outra retrata um homem sentado descabelando o palhaço em 5000 a.C.
CIÊNCIA

Os homens usam plantas medicinais há pelo menos 40 mil anos. Não há provas diretas, mas arqueólogos desconfiam que plantas do gênero Aneilema eram usadas para evitar a gravidez, enquanto a borragem provavelmente já era usada para amenizar os sintomas da tensão pré-menstrual nas mulheres e como afrodisíaco para os homens.
HOMOSSEXUALIDADE

Pesquisadores apontam que a atividade homossexual masculina e feminina é comum em mais de 200 espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e insetos, o que poderia indicar que também era praticada pelos homens pré-históricos. Entre os grandes macacos, como chimpanzés e gorilas, também rola sexo entre animais do mesmo gênero.
SEXO SELVAGEM

A relação do homem pré-histórico com os animais era bem próxima – até demais! Há uma pintura rupestre de cerca de 3000 a.C., em Val Camonica, na Itália, que mostra um homem copulando com um asno! Já na Sibéria aparecem imagens de homens copulando com alces – em uma das pinturas, o homem está usando esquis nos pés enquanto transa com o bicho.
MULHER MELANCIA ANCESTRAL

Os homens faziam estátuas eróticas que podem ser consideradas ancestrais da pornografia. A mais famosa é conhecida como Vênus de Willendorf: uma mulher de nádegas e peitos grandes com traços de corante vermelho, encontrada em uma região com traços de ocupação de até 40 mil anos atrás. Naquela época, a Europa vivia a Era Glacial, e as mulheres gordinhas teriam maior potencial de resistência, e por isso podem ter sido as gostosas da vez.
PAQUERA

Na hora da paquera, o homem pré-histórico já tinha à disposição cosméticos feitos de plantas, como a hena, usada nos cabelos. Sabe-se que extratos de beladona eram usados para dilatar as pupilas e, assim, chamar mais a atenção. Havia ainda pigmentos avermelhados, que destacavam partes da pele, e joias feitas de pedras, madeira ou dentes de animais.
CORPO A CORPO
Quando o homem virou bípede, o corpo passou a ter novos focos de atração sexual. Os peitos das mulheres, únicas fêmeas entre os primatas que têm seios permanentemente grandes, passaram a ser tão atrativos quanto a bunda. Assim, o ser humano passou a ser um dos poucos animais que fazem sexo cara a cara, enquanto outros bichos praticam o coito por trás.

Revista Mundo Estranho

A pastoral americana - Fordilândia

Henry Ford tentou, sem sucesso, produzir borracha e utopias na Amazônia Carlos Haag Abril 2009 © Reprodução do livro Fordlandia, de Greg Gr...